AQUÁRIO
existo para te receber
para que me atravesses sem
escamas e vás ao fundo
na superfície só sinto anzóis:
dentro escapas ao mundo
para que me atravesses sem
escamas e vás ao fundo
na superfície só sinto anzóis:
dentro escapas ao mundo
1 Comments:
At 12:56 da tarde,
alice said…
quando ali me sentava
os anzóis prendiam as sombras da tarde a ganir com o cio
se a água do rio ao menos vazasse a prata sem dor
ou os meus pés fossem canas de pescar sapatos
mas ali sentada diante do nada
era lume brando a cozer traições
e a agonia dos peixes na berma da água
era o fim dos teus olhos a acabar a tarde
se ao menos os barcos passassem de véspera pelas ilusões
ou as redes vazassem sonhos menos fáceis
mas ali sentada com a alma trocada
pescava o diabo e as tentações
ainda que eu cruzasse a solidão entre as pernas
o cio esganava o brilho da prata caído no chão
mesmo que os anzóis mordessem a margem
nunca a rota dos barcos me corrigia a alma
e ali sentada de pernas cruzadas
não tinha calçado nem canas de pesca para a solidão
*
obrigada pela tua visita
o teu comentário preocupou-me
espero que não deixes de escrever
cada um escreve o que sente
e isso é único e insubstituível
um beijinho para ti,
alice
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