Testamento
dou os meus olhos
se os conseguires devorar
dou-te mais
as mãos os seios a língua os livros as pernas a vegetação o medo os cabelos
o fogo os dentes os ramos o umbigo as folhas os dedos as nervuras as veias
a fruta os rins o vinho a carne o fôlego a derme a taça o crânio o segredo
a gruta a fímbria o grito a luz o máximo o dia o fundo a lava o dom as curvas
se os conseguires devorar
dou-te mais
as mãos os seios a língua os livros as pernas a vegetação o medo os cabelos
o fogo os dentes os ramos o umbigo as folhas os dedos as nervuras as veias
a fruta os rins o vinho a carne o fôlego a derme a taça o crânio o segredo
a gruta a fímbria o grito a luz o máximo o dia o fundo a lava o dom as curvas
6 Comments:
At 2:20 da tarde,
francisco carvalho said…
Soberbo. Belíssimo.
At 2:10 da manhã,
o alquimista said…
Esmagador...mas pensa, não estrás a dar demais?
Doce beijo
At 7:49 da manhã,
firmina12 said…
ó alquimista, dou sempre pouco, porque não dou a chave
At 4:17 da tarde,
jcb said…
De tudo - há só quem quisesse a chave.
At 4:07 da manhã,
Rosario Andrade said…
... tanto e tao pouco. A posse final. o segredo. a linha para cerzir tudo.
Bjico
At 4:55 da tarde,
Belinha said…
Belo Blog!!!!
Se fosse o meu testamento, começá-lo-ia da seguinte forma:
dou as minhas lágrimas
se as conseguires compreender
dou-te mais
o resto? poderia ser igual ao que escreveste.
Parabéns. Entre metáforas e sinédoques, surpreendes e interpelas. Beijoca
*Bely*
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