Um Abismo

sexta-feira, outubro 20, 2006

Testamento

dou os meus olhos
se os conseguires devorar
dou-te mais


as mãos os seios a língua os livros as pernas a vegetação o medo os cabelos
o fogo os dentes os ramos o umbigo as folhas os dedos as nervuras as veias
a fruta os rins o vinho a carne o fôlego a derme a taça o crânio o segredo
a gruta a fímbria o grito a luz o máximo o dia o fundo a lava o dom as curvas

6 Comments:

  • At 2:20 p.m., Blogger francisco carvalho said…

    Soberbo. Belíssimo.

     
  • At 2:10 a.m., Blogger o alquimista said…

    Esmagador...mas pensa, não estrás a dar demais?


    Doce beijo

     
  • At 7:49 a.m., Blogger firmina12 said…

    ó alquimista, dou sempre pouco, porque não dou a chave

     
  • At 4:17 p.m., Blogger jcb said…

    De tudo - há só quem quisesse a chave.

     
  • At 4:07 a.m., Blogger Rosario Andrade said…

    ... tanto e tao pouco. A posse final. o segredo. a linha para cerzir tudo.
    Bjico

     
  • At 4:55 p.m., Blogger Belinha said…

    Belo Blog!!!!

    Se fosse o meu testamento, começá-lo-ia da seguinte forma:


    dou as minhas lágrimas
    se as conseguires compreender
    dou-te mais

    o resto? poderia ser igual ao que escreveste.

    Parabéns. Entre metáforas e sinédoques, surpreendes e interpelas. Beijoca
    *Bely*

     

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