Um Abismo

quarta-feira, março 26, 2008

ARDE OUTRA ÁRVORE

- vês? comecei a sentir uma espécie de fogo pegar-me a ponta da saia
e depois a navalha da saudade entre os seios; as tuas mãos a virem
plumas plumas, a lareira ateada, os teus dedos plumas de música, e num pânico,
sabes aquele medo de tecido queimado?,- arranquei tudo até ao lençol
onde se deitavam aquelas papoilas. e agora, aguardo-te
- sabes que sou um fruto que só se deixa cair no tempo certo
- o que é o tempo certo?
- é assim: agarro-te e é porque tenho medo que morras
antes de mim, antes da explosão da minha carne quando chega
à tua, para juntos afagarmos a terra
- e esta nudez sem papoilas, este outono? lança-me o teu sol e canta

8 Comments:

  • At 12:37 da tarde, Blogger Fernando Rozano said…

    no outono, as cores vibram e ardem, como a carne e o amor quando ambos marcam encontro. gostei muito.

     
  • At 2:16 da tarde, Blogger hora tardia said…

    venho. na antecipação do vento quente.


    feliz de te re.ver.

    a escrever. assim.


    ____________________.

    deixo um ramo de beijos.



    (piano)

     
  • At 1:09 da tarde, Blogger mateo said…

    Tão sensualmente belo!
    Um abismo de prazer...

     
  • At 6:13 da tarde, Blogger nuno said…

    a minha casa, firmina, há muito que está aberta.

     
  • At 6:55 da manhã, Blogger casimiroloupa said…

    boa, Luísa!
    em grande forma, como sempre ;-)

     
  • At 3:50 da tarde, Blogger mateo said…

    Tão carnal, Luísa, tão!
    a navalha da saudade entre os seios... Onde mais?
    Beijo dialogado.

     
  • At 3:37 da tarde, Blogger r.e. said…

    mesmo que não pareça, na minha última oração ando por lugares de imagens próximas das tuas. beijinho, luísa. J.

     
  • At 5:17 da manhã, Blogger Morgana said…

    Gostei muito deste texto.
    Os meus parabêns
    Um abraço
    Morgana

     

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